E o Rio de Janeiro continua…

diciembre 23, 2008

embarque

embarque

Sair de Buenos Aires sobrevoando o Río de La Plata foi difícil. Ver aquela imensidão marrom e aqueles quadradinhos, aquelas quadras que eu tanto caminhei. Tomei minha última Quilmes no aeroporto, sozinha, olhando pro relógio, olhando pra moedas de peso que eu inevitavelmente tive que trazer pro Brasil. Eu que sempre amei as moedas argentinas queria deixá-las todas ali, empilhadas na mesa, como aquelas pilhas de pedras no meio de deserto que dizem: alguém morreu aqui. Eu morri numa mesa de um café no aeroporto nacional de Buenos Aires. barriga vazia, última vez que comi torradas chamadas de tostadas, não sei quando será a próxima. Embarcar.

Lá de cima minhas lágrimas caíam na mesma velocidade do avião: Mi Buenos Aires Querido ficou embaixo dos meus pés. Blusa molhada pelas lágrimas e lá se vai o avião mirim da Pluna. Conexão em Montevideo, espera, pessoas impacientes. Lá vou eu outra vez.

Nuvens, muitas nuvens, todas as nuvens que não vi nesses cinco meses me esperavam no caminho pro Rio. E mar, por cima do mar, em cima do mar eu dormi. E no meio da neblina eu vi o Rio, como se se escondesse num charme de namorado trocado. Meu coração de falsa carioca tremeu inteiro e eu me controlei. Quem me esperaria lá? A impressão de desconhecer a tudo era imensa, mas a calma dos meus morros era maior.

No free shop quase abraçar o antendente só porque ele falava português. Que charme atender em português. Que saudade. Absolut, coração e Jose Cuervo nas mãos. Carrinho quebrado, mochila de livros, mala com 15kg de excesso de bagagem. Eu com 15kg de excesso de bagagem. Corredor, cansaço e família. Meu pai, minha mãe, Mira, Izabel, Malú, Adriano, Nanda e a sua ausência. Cartazes, cores, bandeira do Brasil, sim, casa, mas o que é se sentir em casa? Até agora não sei, até agora espero a emoção imensa de cair nos braços do que é meu. E não caio, sempre estive lá, derramada nos braços do que é meu. Conforto. Meu conforto. Meu, isso tudo aqui é meu.

Ainda esqueço um pouco as palavras, mas já passou o estranhamento de ter que falar português com as pessoas nas ruas. Hoje tive minha primeira entrevista de emprego e ter estado em Buenos Aires me deu uma segurança de mãe, como se a cidade me desse a mão. Tenho medo do meu espanhol enferrujar, língua não é como andar de bicicleta.

Sinto falta da linearidade da cidade. Dos números certos, da certeza, dos quadrados e das esquinas. Dos ônibus e da rapidez. Mais que da rapidez, da fluidez de Buenos Aires. Sinto falta dos quioscos e da segurança. Mas agora me dei uma carta de alforria e ninguém mais me tira.

E domingo o mar. Sim, o mar… O mar lá no fundo com a sua falta de horizonte, as pessoas caminhando pela orla. A saudade sendo matada, euforia, risos, um banco, um cachorro feio, doce de leite e a sua presença. E a presença do mar. O mar, meu deus, o mar! O mar, os morros, a brisa, o mar no céu, meu deus, o céu no mar!

E esse é o último post desse blog. Minha proposta totalmente desviada. Buenos Aires me tornou alguém mais detalhista, mais cuidadosa com o que quero guardar pra mim. No fim das contas isso é meu diário, com milhões de referências que talvez só eu entenda. Sim, eu amo Buenos Aires e sim, eu sinto falta, mas nada supera o meu lugar.

E sim, o Rio de Janeiro continua uma porção de coisa. E mais do que na música, o Rio de Janeiro continua meu. Todo meu.

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Toco y me voy

diciembre 17, 2008

Tudo pronto. Malas prontas. Passagem impressa. Roupa separada, dinheiro em mãos. Só meu coração que ainda não bateu em outro ritmo. O sol continua na minha cara, me acostumei com o ser sol às nove e meia da noite e agora, num piscar de olhos, meus dias vão ser mais noite. Não que isso vá ser ruim. Acho ótimo poder ver meus morros de novo, mas esse pampa que me enche de alegria quando vejo uma ladeira vai deixar muita saudade. Não consegui calcular ainda o quanto de saudade, nem o peso, medidas, largura, não sei. Sei que será diferente da distância em quilômetros.

O Congreso está um caos, como quando eu cheguei. O Moinho está lá, o Obelisco com suas vizinhas árvores de Natal, que não estavam aí quando cheguei. Corrientes enfeitada pra Natal, Florida cheia de brasileiros. As empanadas calentadas na padaria continuam re buenas e o paso de los toros estava estupidamente gelado. O sorvete desisti de tomar antes de ir embora, vai doer demais, lá dentro com cor de arándano. A escada de casa, o elevador, o nene, o cachorro e a menina tímida com sua mãe mais tímida ainda. “Hasta luego” me disseram agora pouco. Luego. O que seria esse luego, meu deus, alguém me diz quando eu volto, data marcada passagem comprada pra ver tudo isso aqui de novo? E voltar e andar sem me perder. Decorei as quadras: Entre Ríos, Combate de los Pozos, Adolfo Alsina, Rincón. Moreno, 1817, 10c. Amanhã vem um táxi me buscar nesse endereço, nesse telefone, nesse prédio lindo.

Agora vejo meu último céu laranja quase rosa. Anoitece em Buenos Aires e eu anoiteço em mim. Vejo minha sombra na parede e queria que ela ficasse pintada aqui, queria pintar nessas paredes o meu nome e o nome de todas essas meninas que viveram tudo aqui junto comigo. E penso: não sei o que vou ter pra contar pras pessoas… Esse tempo que passou ficou tão grudado num apartamento quarto-sala que nem sei o que posso contar. As almofadas limpas, fogão limpo, banheiro limpo. Eu imuuuunda de Buenos Aires, tomada desse ar pra sempre. As ambulâncias gritando, bombeiros escandalosos. Não vou mais poder reclamar. Ninguém mais vai poder reclamar de mim. E a saudade agora vai ser só minha e de mais quatro meninas. Antes saudade de todos, agora saudade partida em cinco.

O Disco, a Continental, o chino. Link, Banelco. Hortifruti, Frutigran, La Serenísima. Martínez. La Americana. Onda Shop. Entre Ríos. 168, 103, 12, 37, 64, 6. Subte línea A, bajas en Congreso, dos cuadras para allá, a la vuelta, Moreno. E os pombos e a Casa Rosada. O Congreso, prédio mais bonito da cidade mais bonita da América. De todos os privilégios lembrar sempre de que eu pude andar distraída frente a esse gigante que é o Congreso. Lembrar sempre que pude andar pela Corrientes sem me dar conta de que chegava no Obelisco. Av. de Mayo, lembrar sempre de que é a avenida mais bonita que cruza a avenida mais imponente do mundo: Nueve de Julio.

Como dizia a Julia hoje no msn: O Rio de Janeiro continua sendo. Sim, assim como eu continuo sendo Rio de Janeiro. Mas, ah, Buenos Aires, vesti você nesses meus seis meses de baile de gala. Buenos Aires, meu traje favorito.

I don’t wanna, I don’t wanna talk about it

diciembre 16, 2008

Não, não quero falar sobre essa volta. Quinta-feira se aproxima em proporções gigantescas e vai engolindo Buenos Aires dentro de mim. Quero voltar, quero chegar, quero descer do avião e ver a sujeira da minha cidade e depois me enrolar com as malas, me enrolar no free shop, ficar horas vendo a mala passar na esteira, correndo atrás dela, enquanto do lado de fora do desembarque estão me esperando as pessoas que mais amo: meu pai e minha mãe. Quero não abraçar eles pra ver se não choro e logo depois abraçar pra ver se choro.

Cada dia que entro no meu orkut tem alguém dizendo que está chegando, sim está chegando, e mais pessoas do que eu imaginava me esperam. Totalmente surpreendida. Talvez todo mundo tenha esquecido do quanto eu sou chata, no fim das contas.

Essas semanas se basearam em ir aos lugares comprar tudo aquilo que não posso abrir mão de ter de Buenos Aires. Meus doces, minhas coisas coloridas e algumas quinquilharias pra causar uns sorrisos. De verdade, só penso em como vai ser abrir minha mala em casa, sentada na minha cama, enchendo minhas gavetas e reclamando mais uma vez da cômoda de madeira barata que não suporta o peso das minhas roupas. Não tenho tantas coisas assim, digo, coisas materiais de Buenos Aires. Mas meu deus, tenho medo de que a minha cama não aguente essa nova gravidade porteña que ganhei morando aqui. Talvez ninguém aguente meu novo nível de sarcasmo e de seriedade, mas isso são outros quinhentos e agora em reais, nada mais de peso.

Despedidas. Sempre elas. Me despedi do meu 250g de cereja na quinta passada. Dolorido até o fim. Lá dentro, doendo tanto quanto o roxo do braço. Te vejo, não te vejo, não te vejo nunca mais, meu amor. Nunca mais, por via das dúvidas, porque assim é mais fácil. 250g de cereja pra aguentar meu nervoso e meu nó na garganta que não sai mais. 250g de cereja pra te oferecer uma e ver na sua cara que uma cereja era exatamente o que você pensava de mim naquele momento. E me sentir querida por quem eu menos esperava. Pelo menos a certeza de que as memórias que deixei foram bonitas, doloridas, mas bonitas. Inolvidable caroço de cereja caindo na calçada. E agora meu abrazo, agora o último cheiro, meu último cheiro de roupa lavada, meu ex-namorado: Facundo.

Ah, e andar, né? E andar pelo Once, pela Florida, ouvir os brasileiros, sentir vergonha, se sentir contraditória por querer e não querer falar essa língua que fere meus ouvidos nas ruas daqui. Me esqueci do português falado na rua, na caixa do supermercado, na farmácia, na padaria, me esqueci. Português é o nome da minha casa na Calle Moreno, 1817, porque é aqui que descanso essa língua que me causa arrepio, é aqui que posso gritar em português, chorar em português, amar em português, ainda que falando espanhol. Minhas meninas brasileiras, morando no apartamento mais desejado de Buenos Aires. Sim, cinco brasileiras viveram a full durante seis meses num bairro chamado Congreso. Um entra e sai de gente, um possível romper de molas e quilos e baldes e litros de sorvete. Cm³ de sorvete. Faricci. Meu deus meu deus, I don’t wanna talk about it. Já sinto coisas demais.

Sábado Bellepop. Como diz a Juju: Estela saiu deixando saudades e se despedindo dos amigos que fez. Mais amigos do que em toda estadia em Buenos Aires. Tchau, gente, lá se vai a brasileira escandalosa. Júlia, Juju e eu. E todos os colombianos e chilenos e toda a massa que viveu isso com a gente. Despedida sem sensação de despedida, assim é menos pior.

E ontem. Michica se foi. Acordou em Buenos Aires e dormiu no Rio. E eu escuto a chave na porta todos os segundos que fico aqui dentro, esperando ela entrar com seu humor misterioso que a gente nunca sabe como vai ser. Com sacolas, com água com gás, com suas dores e suas necessidades. Sua carência. Seus mimos. Escuto o elevador parar no 10, quatro meninas dentro de casa, não falta mais ninguém, mas ainda assim eu te espero entrar aqui, Julia. E sei que você vai ler isso logo e vai ficar com os olhos cheios d’água e vai me culpar por isso quando eu chegar. Tô sentindo falta das suas pernas a la curupira no sofá. Ligaram pra cá ontem minutos depois que você saiu. Ainda bem que não fui eu quem atendeu, senão eu choraria muito, demais, porque teria que dizer que: No, no, ella no vive más acá. Assim como eu vou parar de viver também, pra voltar a viver aí do seu lado esses meses que não sei se se acabam em fevereiro. Não derramei uma lágrima quando você foi embora. Já bastaram as lágrimas que inundaram em silêncio esse apartamento. Tem três camas no quarto. Três camas e duas malas. Tá faltando michica, tá faltando a dieta mágica da torta húngara. Tá faltando a sua não-bagunça. Tá faltando um pedaço desse todo que ainda vive aqui, Basconsuelo. Tá dolorido, mas aponto o dedo na cara do meu egoísmo e mando ele pensar no Rio, ele pensa no Rio e eu me lembro de que sexta-feira a gente vai estar junto de novo. Michicacariño, você pode falar de novo e de novo e de novo e pra sempre, quando a porta daquele taxi branco fechou eu pensei: pronto, agora sim é pra sempre, agora sim.

Quinta-feira, 18 de dezembro de 2008. Galeão. Eu no Rio outra vez, sem saber como me portar dentro dessa cidade. Mas é como andar de bicicleta, creio eu. Bicicleta pelas ruas do Méier. Quinta, lá vou eu. Me esperem, mas me esperem com esparadrapos, linhas, gesso, curativos. Tiritas pa este corazón partio. Sim, meu coração tá quebrado, partidinho em quadras, em quadradinhos numerados, quadras certas, nunca se perder, nunca vou perder meu coração partido em quadras a la Buenos Aires. Nunca. Nunca vou perder minha princesa Buenos Aires. E que mentira absurda aquela dos três meses de Mi Buenos Aires Querido. Buenos Aires é mais que apenas querida. É o indizível que me faz querer voltar e ir voltar e ir. Irevolverirevolvereir.

Los Toldos

diciembre 8, 2008

Tenho muitas coisas pra contar, mais uma vez passou muito mais de uma semana e eu nem dei as caras por aqui. Nessas duas semanas teve o aniversário da Juju, teve eu em PUAN arrumando minha situação, assinando papéis de saída da faculdade. Teve uma sexta-feira louca onde fui prum bar, bebi até quatro da manhã com a garçonete do bar que era gaúcha. Ah, encontrei um garoto da Letras que conhecia de vista, conversei em português com um argentino, ri, dancei e presenciei uma quase-briga. Sábado onze da manhã em casa.

E no sábado teve um lendário banho de chuva de aniversário da Juju. Eu, Marcela, Julia e Juju na chuva, rindo, de tarde, gritando, rodando, cantando… E de noite uma festa sensacional com uma porção de rock antigo e Estela bêbada dançando até morrer, agarrando viado, agarrando Juju, feliz aniversário, zoada do meu coração. E teve plaza Cortázar também, tênis, blusa e depois McDonalds. FELIZ ANIVERSÁRIO, COISA PEQUENA.

E no resto da semana passeios, compras, livros, Florida. Eu caminhando sozinha na Alfândega de ricos. Uruguaiana de gritos e tango na rua. Alejandra Pizarnik, saudade, planejamentos, dia 19 quero matar a saudade.

E a parte mais bizarra desses dias: Esse fim de semana. Fui com a Marcela e o José acampar num encontro de mochileiros e aí vai o resumo do fim de semana que eu fiz pra Mira:

“Me meti com um grupo de mochileiros. Tinha galheris de tudo quanto é lugar. Enfim, fui de trem pra uma cidade a 350 km de buenos aires. De trem, cara… Mais de seis horas dentro de um trem ouvindo um bando de argentino zoado cantando umas músicas loucas até o momento em que eles se deram conta de que eu e a Marcela estávamos cantando sozinhas e começaram a gritar: MACUMBA, MACUMBAAA! E cantaram XUXA. Ilariê. Cara, sério. chegamos na cidade uma da manhã e a polícia ficou uma hora e meia revistando a mochila de geral, abriram até a  minha saboneteira. Enfim, daí andamos até o lugar onde a gente ia acampar: um balneário abandonado. Mosquito, formiga, gavião, bicho de pé, monstro e chupa cabra. *PULA ESSA PARTE* Tá, aí no dia seguinte acordei, fui tomar banho só tinha água QUENTE (oi? água quente num camping abandonado?), descobrimos uma torneira fria, tinha sangue suga no ralo. Fiquei de oito da noite de sexta até duas e meia de sábado a base de um alfajor nojento que a Marcela comprou no trem. 4 por dois pesos. Comi hambúguer quase cru e fui pegar carona pra ir pra cidade, porque oi? o balneário fica a QUATRO KILÔMETROS  da cidade? Peguei duas caronas, uma delas num caminhão de cevada (melhor parte da viagem). Comi sorvete de maçã verde (segunda melhor parte) e tomei mate doce na rua com um cara bizarro chamado José (terceira parte). Fiquei bêbada, voltei pro balneário de carona numa caminhonete, paguei bundinha que nem Marlin Monroe. Cheguei MUITO bêbada, fiquei conversando em português com um argentino de dread louro que tem uma namorada de 32 anos e um filho. Ele contou que a namorada morre de ciúmes dele (oi? ele tem dread louro e é feio) e já morou no brasil (a namorada). Daí continuei bêbada fazendo “cu cu cu” junto com a Erika, uma estônia, e depois *PULA MAIS ESSA PARTE*. Meio do mato matando mosquito, cantei marisa monte, fui dormir. Acordei no dia seguinte, arrumei minhas coisas, fui pra estrada de saia pagando perninha, fiquei uma hora e meia no sol pra pegar carona com um Renault anos 70 até uma cidade chamada Junín onde eu comi sorvete de menta e morango (quarta parte). Fiquei três horas em Junín esperando sair um ônibus pra Buenos Aires. Entrei no ônibus, não consegui dormir PORQUE NO PAMPA NÃO TEM MONTANHA PRA TAPAR O SOL DE DEZ DA NOITE, OI? Dormi, cheguei sozinha em Buenos Aires meia noite e quarenta, Marcela e José ficaram em Luján, uma cidade a 120km de Buenos Aires. Peguei um ônibus sozinha na rodoviária. Suja, com uma bermuda larga e casaco de moleton, com marca da blusa, boca rachada, fome, dor nas costas e um roxo IMENSO no braço. Passei a noite colocando água quente no roxo, porque tá bizarro, e contando as tretas pras meninas.”

Enfim, foi isso. Hoje é segunda, feriado, tô destruída em casa. Com calor, com fome e com mais saudade, visto que má sorte é sempre pior quando se está sozinho. Dez dias. Contagem regressiva real. E sigo me perguntando: como, mais uma vez, vou deixar um lugar sem que nada me prenda e sem que nada me faça voltar?

A song for you

noviembre 23, 2008
Guerra de Almohadas

Guerra de Almohadas

Buenos Aires vai pra sempre correr em mim. E isso parece uma frase de final de tudo. Pois bem, mudei meus planos, reavaliei muito as coisas e cheguei a conclusão de que o melhor a fazer é seguir o que eu sinto. Sem ser impulsiva, ou pelo menos tentando, faz uns dias que não sou volúvel-volátil-bipolar, faz uns dias que sinto que o melhor a fazer é seguir o que eu quero.

Bom, a todos conto agora: volto dia dezoito de dezembro. Passagem na mão. Volto de vez, praqueles que não sabiam que já faz tempo que desisti de ficar um ano: volto.

Não choveu mais o suficiente pra tomar outro banho de chuva. Os dias seguem azuis e roxos, com as árvores cada vez mais verdes e cada vez com mais flores. A cidade anda mais linda que nunca. Primavera de verdade, com sol de verdade, com som de primavera. As pessoas seguem tomando seus cafés pós-trabalho e eu, agora viciada em café, tomando os milhões de milkshakes da mais nova descoberta: Martínez, uma cafeteria mais aconchegante e mais gostosa que a Havanna. Não, eles não vendem alfajores, não, eles não inventam café com leite condensado nem com vaporzinho de sei-lá-o-quê. O bom de lá são os capuccinos com laranja, com doce de leite, com chocolate granulado. Uma delícia pra esse calor que faz.

Ando viciada também em água com gás. Ontem desci com a Juju só pra comprar uma garrafa. Compramos e saímos andando pelas ruas, duas-e-meia-da-manhã, nós duas, avaliando as coisas da vida, rindo e com um medo que se faz desnecessário em Buenos Aires. Vento, saias voando, gravidade. Um clima de gravidade, por cada dia que passa a gente se vê mais próxima e isso é tão importante que pesa tanto quanto um adeus. Os picolés e os quioscos. Os carros. As pessoas. Os mendigos e seus cachorros. Os meninos, os garotos, os homens. A mendiga que não sabe que significa tanto. O menino da Faricci que tem seus dias coloridos por alguns “hola, que tal?”.

Continuamos com nossas crises de riso durante as tardes a toa. Continuamos evoluindo nosso senso de humor sarcástico e barra pesada. Bajo piso. Sim, falamos tanta merda quanto não se pode imaginar. E também resolvi: estou fazendo uma exposição chamada A SOBRA. De quem não me perguntem, porque senão posso ser chamada de injusta pra baixo, um perigo. Não faço idéia de quem sejam os copos de café pela metade, os copos de yogurt, o arroz no canto do prato, os pratos na geladeira, a meia empanada. Nem adianta pedir pra saber, não conto.

Fomos a uma festa no Niceto. Foi uma merda. Só pra constar.

E hoje. Buenos Aires é uma loucura. Só aqui mesmo pra existir um evento de Guerra de Almofadas. Sim, uma guerra de almofadas pública, mais de mil pessoas, mais de mil travesseiros e almofadas, mais de mil travesseiradas por minuto. Eu nem dei tantas assim, só nas meninas mesmo. Eu, Juju e Marce. E José, a parte masculina da família. Um calor de matar, mais ainda assim, mais de mil pessoas riam e gritavam e se juntavam em pessoas desconhecidas, um contato agressivo, fofo, uma violência de plumas caindo, travesseiros estourando, espuma, neve com sol. Planetário. Cenas surreais, como o cara que estava com a calça totalmente rasgada, ou a Juju apanhando de um mulequinho nada a ver, ou a Marcela caindo feiamente no chão e sendo massacrada pelo José! Ou a Erika, estônia. Ou o: “Él que no pula es inglês”. Ou, mais um que ri do nosso “paraaaaaaaaaaá!”… Sensacional ver mais de mil pessoas se divertindo juntas num gramado nevado de espuma. E o sol. E o céu azul.

Agora em casa. Cansada. Derrotada, tensa, triste, nostálgica, querendo dormir e não dormindo, querendo ler e não lendo. Sentindo saudade, sentindo agonia, sentindo a passagem pesando no email. Me sentindo sozinha. Mas é válido, é válido estar assim. É válido ouvir a Júlia brigando comigo e dizendo: “Estela, é você, só você.” Sim, sou eu, só eu. E as decisões são minhas, só minhas. A pressa, a tristeza e até as alegrias, minhas só minhas. Só essa canção não me pertence: ela é sua.

Primavera, chuva e frio.

noviembre 15, 2008

Plaza de Mayo

Plaza de Mayo

Essas semanas que passaram foram insuportáveis pelo calor. Uma coisa impossível, dormir suando, acordar suando, tomar banho e sair suando. Em todos os sentidos EXAGERO. Como no Rio, mas com o fator secura agravando tudo. Pele ruim, cabelo ruim, humor ruim. Tudo, um saco. Mas sempre tem as coisas boas, como o fato de a Quilmes vir mais gelada e de o dólar estar caindo, assim eu tenho mais dinheiro pra tomar sorvete que é o vício geral dessa casa.

Parei meu querido diário falando da faculdade, da loucura que estava no dia da eleição do CeFyL. Pois bem. Na semana seguinte voltei e me dei conta de que havia uma limpeza enorme, dava pra ver o sol entrando pelas paredes de vidro antes tomadas pelos milhões de cartazes e avisos sobre o quão más são as outras chapas. Tinha um cartaz simpático, onde o Lula ficava de um lado junto com o Toppo Giggio, o Che e o Evo Morales e do outro lado ficava o Mickey, o Bush e uma caveira com o símbolo do nazismo na cabeça. Uma união de idéias super coerente, não é?

Bom, não me lembro mais tanto das coisas que aconteceram. Nem pra onde fui, nem o que comprei ou fiz. Só tenho lembrança de quinta pra cá, porque quinta foi o lançamento do Macanudo #6 e eu fui com as meninas. Sim, eu conheci o Liniers. Sim, no dia anterior eu tinha gasto 100 pesos comprando os Macanudos que me faltavam. Ah, sim, esse dia foi legal, quarta. Andei muito. Muito. Iniciei minha Marcha do Pinguim. Fui ver Buenos Aires na primavera, as pessoas tomando sol nas praças, as árvores roxas. Lindo. Calor e lindo. Pois bem, quinta, 18h, estávamos nós na fila feito boas tietes esperando nossa vez de falar com o Liniers. O livro novo dele vem com a capa em branco e ele desenha o que você pedir!! Não fugindo dos meus números característicos minha senha foi a 31, comprei três livros: Robô Sensível, Pinguim e OLGA. Ficaram lindos demais, fiz o Liniers tirar foto com o meu pinguim, tiramos foto com ele e ele lá, cantando Moska e Lenine, sensacional. Conhecemos uma paraguaya louca que falava português e zoamos todas, como quatro boas brasileiras… “Hola, Liniers, podés dibujar Mafalda para mi?? O Mônica y Cebolinha?” hahahaha, muito zuadas.

Na quinta também fomos num Brechó! Muito legal. Aliás, quinta foi um dia fatídico na minha vida. Quinta seguida de sexta. Fatídico, feliz, resolvedor, essas coisas. Pra quem tinha 120% de comofas na cabeça foi excelente. Preciso começar a tomar minhas decisões assim mais vezes. (Veremos se desse jeito diminui a minha volatilidade ou volubilidade ou inconstância ou bipolaridade. Fica a critério de vocês escolher). Bom, comprei uma saia, uma calça e uns cintos no brechó! Muito legal, nos divertimos muito, mais uma vez as quatro brasileiras zoadas e simpáticas.

E ontem. Fiquei em casa o dia todo curtindo meu momento decisão. Feliz, com a saudade num estado controlável, diferente de como eu estava semana passada. Talvez por isso a ausência de notícias, se eu escrevesse só saíriam coisas tristes, saudosas, essas coisas. Fico impressionanda como pode um discurso afetar tanto nossos sentimentos e se tornar uma coisa tão pesada. Não cheguei nem a contar da parada gay, dessas coisas que ainda me fizeram feliz semana passada. Como disse a mocinha do filme de hoje: “Não gosto muito de pensar no futuro, na verdade, nem acredito que ele exista. Talvez isso seja um defeito, mas pra mim é uma vantagem.” É, pra mim também é uma vantagem e quando me vejo no meio de uma situação que me faz ter medo de algo que pra mim não existe, fico mal, fico triste, é como se fosse forçada a entrar num cemitério e começar a acreditar em coisas que sei que não existem. Não posso prometer nada a ninguém se nem sei se existem datas nos meus próximos anos.

Ontem ainda. Fiquei em casa. A noite, chuva, a noite, muita chuva. A noite risos e chuva. A noite dos chicas en el balcón bailando bajo lluvia. Ba-jo-llu-via. Uma delícia. Gotas enormes, sorriso, pulos. Quanto tempo fazia que não me acontecia um fato desses. Minha vontade era descer e dançar na Entre Ríos, mas não. ¿Uno no puede ser feliz discretamente? Sí, uno puede, dos pueden. Molhadas e felizes, acordadas até seis da manhã. Acordar, ler, dormir de novo, levantar, ir ao cinema, tomar um capuccino gelado que tem gosto de beijo em bico de pinguim. Conversar e chegar a conclusão de que nada pode ser melhor do que as decisões que tomamos, independente de serem boas ou ruins. Um pinguim, uma mesa, uns cafés. O frio de novo. A boa vontade. Conversa no elevador. Quantos sorrisos ainda podem me caber numa tarde tão frio de primavera em Buenos Aires? Seja lá quantas tardes frias venham, tenho certeza de que mais feliz do que sou é bem difícil. Seja lá quantos frios ou graus, de uma coisa eu tenho certeza: tem dias que minha saudade me faz imaginar cada um de vocês do meu lado no cinema, ou na cadeira da frente de um café, ou tropeçando na faixa de pedestre. Ou imaginar você, rindo comigo. Cada frio, cada sol que se põe às nove da noite me faz pensar: a quantidade de sorrisos que cabem no meu dia é sempre maior do que a que posso imaginar.

Tenho saudade, mas ainda sinto essa cidade correndo em mim.

Puán, 10:40 am

octubre 30, 2008

A faculdade anda cada vez mais suja. Acho que aqui pensam que sujeira é só papel amassado e jogado no chão. Eleição para o CEFyL. E acabaram de me importunar com alguns papéis rosas que além de em grande quantidade são demasiadamente coloridos. Isso me faz lembrar da UFRJ e do Rafael gritando no pátio. E de mim. Eu com meus acessos de alienada constrangendo a todos com a minha cara de facilmente convencível. “Não, eu não voto”. E com o meu sotaque expulso algumas possibilidades de conversa. Troco de lugar, minha aula, que não foi atrapalhada pelo meu sono, vai ser atrapalhada por essas eleições que não faz o menor sentido na minha cabeça. Ainda que o idioma seja outro as mensagens continuam as mesmas. Todos têm suas palavras de ordem, sempre iguais, só trocando devezinquando um “t” por “ch”, o que não muda a chieira dessa parafernália toda. Quando era pequena via vídeos sobre insetos peçonhentos que sempre têm cores mais fortes pra avisar do dano, acho que aqui rola a mesma coisa, quanto mais cor, mais me afastam. Além da gritaria, ainda tem a barulheira de uma obra que me irrita um pouco menos que os apelos por “lucha y conquista”.

No meio de uma porção de cartazes repetidos saltam palavras como “danza y folclore”. Totalmente fora do eixo, quase uma montagem.

Minha unha quebrou, maisumavez. Meu casaco sujo, xerox cara, cara de sono e sempre menos coisas pra se fazer. Algumas horas de sono a menos, hoje é quintafeirajueves.

(Mais uma interrupção, pelo menos no fundão eles respeitam a escrita).

Bom, hoje é jueves, mais um dia pra se somar aos tantos que vou perdendo. E tudo tanto e tão grande nessa diminuição de letras, sinais e palavras. Me escapole o sentido toda vez que me sinto longe. Meu elo se chama escrita, meu amor se chama pele. Minha saudade substancial do Rio, minha falta verbal argentina. Me superloto de verbos e adjetivos, quero escapar de qualquer coisa que me recorte desse momento. Quero ficar assim, como se eu fosse só um cheiro ou uma visão rápida no meio desses cartazes. Estou camuflada no meio de tantos de tantos vermelhos. Meus sentimentos roçam numa dificuldade de expressão e me troco por algumas letras. Quando me faltam palavras sorrio, mas desse jeito não páro de sentir fome. Quero comérselas,  de leve. Me mastigar.

Pensamento ativo. Gostaria de colocar algumas tonalidades nas letras, ou passar um vento que fizesse tudo deslizar, ou delirar. Uma vez me contaram alguma coisa sobre ventos e loucura. E eu disse que minha escrita era ventada, como uma chamada soprada no meio da noite. Posso optar ou não pelos clichês, da mesma forma que posso optar ou não. Minha pausa de respiração não coincide com minhas pausas gramaticais e é por isso que as vírgulas me matam. Pendurei uma vírgula no varal, na porta, na minha orelha, mas nenhuma delas foi capaz de me soletras seu nome.

La pequeña hermosura

octubre 28, 2008

Segunda-feira passada eu deveria ter entregue um trabalho pra um dos seminários, mas nada sai da minha cabeça sobre Júlio Cortázar. Andei lendo mais Caio Fernando Abreu e construindo mais algumas certezas em relação à minha volta e ao mestrado. Sim, Literatura Brasileira mesmo. Caio Fernando Abreu. Acabei fazendo o trabalho no sábado a tarde, com sono, calor e vendo Abre los Ojos. Sim, esse eu vi todo, mesmo com a Juju não aguentando e indo dormir, o que aqui é uma tentação: dormir. Buenos Aires que não dorme a noite dorme de dia.

Continuamos na coleta de apelidos absurdos. Agora temos a “en que puedo ayudarte”, o “pancho”, e a “tienda na florida todos criações de Júlia e Juju, adapatados por mim e pela Marce. Nossas tardes à toa se tornam cada vez mais engraçadas e nós nos tornamos cada vez mais zoadas. Aprendemos a fazer hambúrguer com carne moída e tivemos um excelente almoço de domingo. Carol vai embora quarta e deixou a gente triste.

Minha semana de esperar por jueves, viernes e sábados mudou um pouco. Agora já não tem mais essa. Manda diversão na terça mesmo, porque a La Continental é um excelente lugar pra se conversar e comer. Talvez as semanas agora se resumam em esperar por alguns fins de semana específicos como o dia cinco de dezembro. Árvores de maçã em Rio Negro. Árboles de manzana verde.

E eu nem sei mais o que tenho pra contar. De tanto ter não tenho. Por aqui anda tudo muito bem, com crise, sem crise, com dinheiro ou sem. Buenos Aires faz calor. Eu faço calor. As meninas também. As janelas estão abertas, os dias anoitecem mais tarde, bichos, primavera e todo esse acúmulo de coisas clichês. Todo um acúmulo de coisas clichês, tantas quantas eu possa agüentar. Tão clichê que hoje teve brigadeiro, de colher. E teve música e meninas estiradas pela sala. Ah, e a velha das costas tortas falando sobre conta de água, luz e telefone. Talvez eu só queira contar esses detalhes pra não esquecer, porque tem coisas que nunca vou esquecer. Como as promessas. As viagens e a rapidez. La pequeña hermosura. E juro que tentei ver O Estranho mundo de Jack inteiro, juro que tentei, mas as minhas vontades me impediram. E também admito que preferia ouvir música e rir, essa vai sempre ser minha escolha.

e sete e oito…

octubre 20, 2008

Foi feriado segunda. Não fiz nada. Aproveitei como se aproveitam todos os bons feriados, fiquei em casa, de piajama, na internet. À toa, como se deve ser num dia de feriado. E sendo assim, nem me lembro da minha segunda feira. E muito menos da terça, que é sempre a terça gorda. Tirando o fato de que agora eu escrevo e me tornei a escritora da casa e escrevi terça. E quarta. Da quarta eu me lembro, me lembro das frases célebres da Júlia borrachón e do seu new-look. Tá linda, ahazou, amei, beijosmelevanacolita.

Na quarta ganhei marroc que é a mais nova descoberta da casa: um chocolatezinho de amendoin que lembra gamadinho, mas que na verdade é sete milhões de vezes melhor. É sensacional, é a alegria das garotas, é o sonho do momento. Novo item da coleção primavera-verão. Pois bem, quarta foi dia de traduzir poema, sim, agora eu sou chique e traduzo Sylvia Plath do inglês pro espanhol.

Quinta eu tenho aula, né? E pela primeira vez essa aula de tradução foi legal. Levantei a voz, me disse estrangeira, extrangeira, stranger blá blá blá. Pela primeira vez se deram conta de que a brasileirinha aqui sabe do que fala. Mas aí estávamos analisando uma das traduções e eis que entra um homem totalmente estranho e diz: “Professora, temos que evacuar a faculdade, há uma ameaça de bomba.” Eu me levantei e saí rindo do lado das outras pessoas da minha turma, enquanto a professora ia nervosa e atacadinha dizendo: “¡Ay, dios!”. Rumei pra casa, né, fazer o quê? (Mas antes liguei pra Marce, avisei da ameaça de bomba e ela ficou em casa à toa comigo).

Depois disso fomos num bar em Caballito encontrar com os meninos que vão pro Ushuaia com a Marcela. Caballito, metrô Rio de Janeiro, calle Rio de Janeiro. Um bar, quatro brasileiras, uma estônia, dois argentinos: um cordobés e um menino do fim do mundo. Ushuaia, menino da terra do fogo, menino das estrelas e rosas no braço. E como sempre tomamos todas, eu ganhei uma jarra de cerveja, Marce cantou, todo mundo riu e voltamos pra casa. E algumas coisas ficaram pelo caminho, como um maço de cigarros e um menino que ia pra fora da cidade, un gateador.

E na sexta a ressaca. Sem aula, sem nada, só aquele cansaço enorme. Um sol de primavera e Perez aqui comigo: “Vamos pra praça?” Sim, vamos. Toalha, comida, a-gua-con-gás. Coco. Pombos acasalando. Pe-do-fi-li-a. Marroc? Tin Tin. Não, tentei! hahahahaha! Um biscoito horrível, o Congreso misterioso, os cocos, as formigas inexistentes, as pernas brancas, alergias, histórias. Água, casais, inóspito. E lá se vai o sol mais uma vez se pondo na grande cúpula verde do Congreso. Frio. Vontade de fazer xixi, apostar corrida. Ah, Perez que mais me faz rir.

Voltei a usar o celular. E que isso signifique o que quiserem.

E a noite obelisco. O O-BE-LIS-CO. E por que carajos obelisco? Sensação de argentinidade. Andar até San Telmo, porque San Telmo não é perto da minha casa. E se perder em uma porção de quadras. Bar, cerveja, desencontro. Hercules and Love Affair. E você só me faz sentir nostalgia. E isso é bom. Me lembro o tempo todo dos meus amores do Brasil, dos meus amigos que são exatamente da mesma medida que você. E rir o tempo todo e andar porque assim corre mais o tempo junto.

E sábado ensolarado e a tentativa de piquenique. Ih, esqueci o celular em casa. Temos mais um apelido: Qué horas son?” Encontrar os amigos da Marcela que sempre acerta em nos apresentar essas pessoas. “É que eu só tenho amigo foda.” E é verdade. Paulistas consumistas, eu consumistas, plaza Cortázar, como não ser consumista em Palermo? “Mas sabe que essa quantidade de cores e de consumismo anda me irritando?” A mim também, Perez, a mim também. Eu gosto de ver as paredes de Buenos Aires e desse jeito se torna impossível. Um piquenique, algumas fotos, uma garrafa de vinho e muitas risadas. E 7 e 8. E dentes de biscoito, risadas e cerveja. A gravidade deixou Perez borracho. A borrachez de todo mundo me deixou mais feliz. E então chegar em casa e sair de novo. E mais uma vez você me trazendo essa nostalgia acompanhada de um par de sorrisos. Feeeeeeeelpa, sim muito feeeeeeelpa, re buena onda, re buena noche, re buena música. Re re re re todo. Festa, ska, buenas noches, gatero.

E domingo de preguiça, horário de verão, deus, já são onze horas. Preciso ir dormir. Preciso que esses dias passem logo, começo de semana agora me soa mal, porque, na verdade, minha vida agora é esperar los jueves, viernes y sábados.

Creamfields BsAs

octubre 13, 2008

Hoje acordei com ganas de bailar. Na verdade estou assim desde ontem. Correção, desde de sexta após dançar horroures com a Juju e o Millos na Compass. Correção 2: desde antes de ir pra festa. Correção 3: porque naci, naci para bailar.

E então fiquei atrás de coisas pra fazer ontem, já que hoje é feriado aqui. Até achei uma festinha mais ou menos, mas as meninas desanimaram e ninguém saiu de casa. Fui dormir.

E então no meio dessas coisas que procurei achei o Creamfields. Na verdade achei um flyer lindo no meio dos flyers que peguei no Niceto sexta. Aliás, o Niceto sexta foi sensa, entrei lá e tava tocando Yelle, depois todou Hercules and Love Affair, depois Yelle de novo e Kills e New Young Pony Club. E aí é quando eu chego na euforia do momento: New Young Pony Club no Creamfields junto com Simian Mobile Disco.

Tá aí o Line Up do evento: Erick Morillo, UNKLE, Nightmares on Wax, David Guetta, Simian Mobile Disco, New Young Pony Club, Crystal Castles, Cassius, Roger Sanchez, Booka Shade, Apparat, Boys Noize, Modeselektor, 808 State, Gui Boratto, Deadmau5, Carl Craig, M.A.N.D.Y., Steve Lawler, Spitfire, Derrick May, Satoshi Tomiie, Bajofondo, Martin Buttrich, Marc Marzenit, DJ T, Radio Slave, Hernan Cattaneo, DJ Paul, Simbad, Capri, Mercurio, Romina Cohn, Martin Garcia, Jay West, Rama, Deep Mariano, Angel Molina, Canu, Oliverio, Zuker, Zuker XP, Carlos Alfonsin, Flavius E, Carlos Shaw, Guille Quero, Bad Boy Orange, Facu Carri, Big Fabio, Luis Nieva, Fabian Dellamonica, DJ Buey e Gorillaz soundsystem.

Tá, só isso, né? Morri. De resto o de sempre: Marcela e José fazendo comida, Julia querendo mudar o cabelo de novo, Natalia estudando e eu aqui, escrevendo como sempre.